A arte desvenda os mistérios da espiritualidade

NOVOS TEMPOS
Por Sérgio Carvalho

Os temas bíblicos e as vidas dos santos sempre foram uma fonte de inspiração para os autores e artistas das mais variadas áreas e épocas. Recordamos os clássicos de cinema da época de ouro de Hollywood, ou «Jesus de Nazaré» de Franco Zeferelli.

Verificamos que os teatros e cinemas enchem quando o assunto levado à tela ou ao palco retrata a vida de Jesus, dos grandes acontecimentos da Bíblia ou da hagiografia e axiologia cristã.

Em Portugal, há autênticos fenómenos de bilheteira, como os musicais sobre «Fátima» e agora «Thérèse Martin», sobre a vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face, ou Santa Teresinha de Lisieux.

O Coliseu do Porto encheu com milhares de pessoas, no dia 30 de setembro, véspera da memória da mais jovem Doutora da Igreja, que se assinala a 1 de outubro, e que há precisamente 100 anos foi canonizada. Várias instituições uniram-se à Ordem Carmelita e concretizaram este projeto. Penso que seria uma aposta muito útil que a Igreja e as suas congregações e instituições investissem e apoiassem estas obras de arte.

Se a lei da oferta e da procura funcionasse no mundo do espetáculo, a temática religiosa seria tratada e levada à cena com muito mais regularidade e qualidade. Mas o complexo de alguns meios e setores, autodenominados de artistas e intelectuais, remetem sempre para segundo plano estes assuntos, ou, até, eliminando-os e não, raramente, abordando-os de forma pejorativa, satírica ou até ofensiva.

Vimos os sucessos, na última década, da série «Bíblia», «Arca de Noé», «Exodus» ou «Filho de Deus» que encheram durante semanas as salas de cinema ou atingem grandes níveis de audiência nas plataformas e canais de televisão sempre que são transmitidos.

Sucessos como os musicais «Jesus Cristo, Superstar», «Fátima» e agora «Thérèse Martin» mostram que há um público ávido de ver nos palcos os temas que lhes são caros e com qualidade.

Nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa, em 2023, houve um prenúncio na beleza da encenação e dos textos da Via Sacra realizada no Parque Eduardo VII. Quem participou ou assistiu às transmissões registou o momento como marcante.

O musical sobre Santa Teresinha permitiu aos mais novos e jovens conhecerem uma grande personalidade do catolicismo, a sua fé, determinação e a sua missão intercessora, bem como a profundidade dos seus escritos. Outros, como eu, recordaram a leitura da «História de uma alma» e alguns ganharam curiosidade por lê-lo e conhecer mais a padroeira das Missões.

Desde muito pequeno que olhava, na capela em que participava na Eucaristia dominical para a imagem de uma jovem, com um rosto tão belo e sereno e que dava nome a umas rosas, pequeninas, mas cheias de perfume que as meninas levavam em belos arranjos no cabelo, na primeira comunhão. Mais tarde, descobri os belos painéis de azulejos que a Capela de Fradelos, na rua Sá da Bandeira, no Porto, guarda no seu interior. As suas paredes contam a vida de Santa Teresinha de uma forma simples e bela.

Apoiemos os artistas de todas as áreas que estão abertos a tratar a temática religiosa e cristã e deixemos que a Arte fale por si só, saciando a avidez de espiritualidade dos nossos tempos.

 

Sérgio Carvalho, Professor e Jornalista

 

 

 

 

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