11 Mar 2026, 9:08
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Pouco mais de 24 horas após tomar posse como Presidente da República, António José Seguro escolheu a cidade do Porto para passar uma mensagem de união. Numa sessão solene nos Paços do Concelho, na tarde de terça-feira, o chefe de Estado destacou a coesão territorial como uma das prioridades para o seu mandato, em linha com o que foi reiterado pelo presidente da Câmara do Porto. "É hora de unir", expressou Pedro Duarte, numa receção que contou com cerca de 150 convidados.
Um dia após a tomada de posse em Lisboa, António José Seguro passou pelo Porto com uma mensagem clara: "Esta é a expressão de uma convicção política clara. Portugal é um todo, um país em que todos contam e nenhum território pode ser dispensado", reivindicou o novo Presidente da República, assegurando que ao longo dos próximos cinco anos "a coesão territorial não será uma circunstância".
"Há cidades que marcam a história de um país, o Porto ajudou a escrevê-la. Neste nosso Porto, cruzam-se tempos, povos e vontades", assinalou o chefe de Estado.
Também para o presidente da Câmara a receção no coração do cidade "é um importante simbolismo que certifica que a mais alta figura do Estado Português olha para o território nacional como um todo".
"Este é o tempo para a igualdade de oportunidades e para a coesão territorial. É o tempo certo para nos libertarmos de um centralismo degradante, paralisador e opressivo que há demasiadas décadas bloqueia o desenvolvimento do país", postulou Pedro Duarte, deixando uma mensagem para o futuro que agora começa: "Esta é a hora de unir. De ultrapassar a espiral da desconfiança, do ressentimento social e da indignação permanente".
Numa cerimónia que teve início com guarda de honra, o autarca portuense aproveitou a ocasião solene para reafirmar "o compromisso coletivo com um futuro ancorado nos valores fundacionais da República portuguesa: a dignidade da pessoa humana, a soberania popular, a igualdade perante a lei, a liberdade, a justiça e a solidariedade", assinalando que António José Seguro "foi eleito sob o signo da moderação e do equilíbrio".
"Num tempo marcado por discursos cada vez mais polarizados, por algoritmos que amplificam o conflito e pela tentação permanente de reduzir a realidade a escolhas simplistas entre 'nós' e 'eles', a moderação tornou-se uma virtude particularmente exigente", reforçou o presidente da Câmara do Porto.
Crente de que António José Seguro "é a calma inconformada de que o país precisa neste momento", Pedro Duarte acredita "que este novo ciclo político mostra que os portugueses não se deixam iludir pelas luzes da política-espetáculo e que, na hora da verdade, sabem escolher a compostura em vez do ruído, a tolerância em vez do extremismo", culminado a receção ao Presidente da República com a oferta de um prato com o brasão da cidade do Porto.
Grato pela forma como foi recebido no Porto, António José Seguro elogiou a cidade onde "se respira um ar particular. Um ar que transporta a memória dos séculos e a força das gerações que moldaram estas ruas, estas pontes, estas margens".
Na perspetiva do Presidente da República, "o Porto lembra-nos que o futuro se constrói com trabalho, com perseverança e com a dedicação das nossas gentes".
A Invicta "agigantou-se como um dos polos do nosso país", salientou o Chefe de Estado, destacando instituições do Porto, que, na sua ótica, têm feito a diferença na forma como Portugal é percecionado a nível interno e externo. Deu os exemplos de Serralves, da Casa da Música, do Teatro Nacional de São João ou do Museu Nacional Soares dos Reis, mas recordou que "nem só de cultura se faz esta cidade".
"Aqui nasceram e cresceram empresas que se tornaram referências nacionais e internacionais, o que simboliza a capacidade empreendedora do Porto", frisou, apontando o Jornal de Notícias, que permanece como "património histórico desta cidade", e, no campo da investigação, a Universidade do Porto ou os Laboratórios Bial.
No que diz respeito às preocupações ambientais – tema pelo qual tem mostrado grande empatia –, António José Seguro acentuou que "o Porto está entre as grandes cidades europeias, comprometidas com a neutralidade carbónica até 2030. É, hoje, um polo de inovação para alcançar as metas do Pacto Ecológico Europeu".
"É assim que a cidade se vai destacando como um polo que atrai investimento, conhecimento e criatividade. O Porto continua a provar que a sua verdadeira identidade reside na capacidade permanente de se reinventar", sem nunca esquecer a sua origem.
Num discurso no qual destacou um "profundo sentido de comunidade" e "uma coragem coletiva" presentes na cidade, o Presidente da República voltou a nomear razões que o trouxeram até cá no seu segundo dia de mandato: "O Porto é sempre fiel ao seu caráter livre".
Dirigindo-se ao anfitrião do dia, António José Seguro enalteceu que o percurso político de Pedro Duarte "tem sido marcado pela moderação e por um profundo compromisso com o bem comum", mostrando-se convicto "de que o Porto encontrará no seu presidente uma liderança à altura da história desta cidade".
A receção terminou na Sala D. Maria, onde o Presidente da República assinou o Livro de Honra da Câmara Municipal.
O segundo dia de mandato de António José Seguro como Presidente da República começou na Mourísia, em Arganil, e passou por Guimarães. O chefe de Estado encerra o dia no Porto, com um concerto na Casa da Música.
Fonte: CM Porto
Foto: CMP | João Pedro Rocha