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O Primeiro de Janeiro

16 Jan 2026, 8:00

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Antigo Abrigo dos Pequeninos reabre como Reservas do Museu do Porto

Abrigo feito de memórias e crescimento ilustra o fundamento de uma política museológica, que é dar um novo futuro ao património e à identidade de uma cidade.

É com a minúcia própria da técnica oriental que o fio dourado que dá corpo a uma gigante colcha prensada, datada do século XIX, está a ser restaurada no antigo Abrigo dos Pequeninos. Pertencente à coleção de Guerra Junqueiro, é uma das 65 mil peças das reservas do Museu do Porto que encontraram uma casa de cuidado, mas também de estudo, no edifício, quase centenário, reabilitado pela Domus Social. Um abrigo de coleções e património que quer ser abrigo de pessoas e futuro.

Dentro das paredes do espaço originalmente desenhado por Rogério de Azevedo, vive uma imensa memória: do mobiliário à cerâmica, da pintura ao vestuário, cada peça é uma peça única.

Cinco anos depois de um processo meticuloso de reorganização, registo, inventário e higienização das coleções e quatro anos depois de obras de reabilitação e requalificação, "a cidade conquista um abrigo".

"Hoje, o Abrigo dos Pequeninos tem um novo começo, simultaneamente patrimonial e humano, arquitetónico e social", afirma o vereador da Cultura e Património.

Lembrando a função inicial do Abrigo dos Pequeninos, erguido como "casa de cuidado, de proteção e de crescimento", Jorge Sobrado encontra, também aí, a missão do Museu do Porto: "uma casa de proteção, de salvaguarda de bens culturais, de cuidado e de crescimento".

É aquele espaço nas Fontainhas que será casa das coleções de Vitorino Ribeiro, doada ao Município nos anos 50, de Eugénio de Andrade ou de Marta Ortigão Sampaio, assim como parte da coleção que saiu do Museu Romântico.

A "operação de resgate", palavras do vereador da Cultura e Património, do antigo infantário, com mão e mestria do gabinete de arquitetos Depa Architects, foi assumida pela Domus Social e deu lugar a nove salas de reserva adaptadas a diferentes tipologias, uma casa-forte para obras de maior sensibilidade, laboratório de conservação e restauro, sala de desinfestação ou uma biblioteca.

No ano passado, os trabalhos foram reconhecidos pelo Prémio Nacional de Reabilitação Urbana, na categoria Intervenções com Impacto Social.

Mais do que um depósito, o Abrigo dos Pequeninos assume-se como "um sistema nervoso central de investigação, estudo, mediação cultural das coleções que fazem o Museu do Porto para valorização do património".

E um "abrigo de pessoas", defende Jorge Sobrado, para que "a vizinhança possa retomar o contacto franco, regular com esta casa, possa senti-la como sua". A partir deste mês, inicia-se um programa cultural que inclui visitadas conduzidas e comentadas, conversas, oficinas do cuidar.

O vereador acredita que "esta reabilitação irá contaminar positivamente a vizinhança, a zona de influência e estabelecer com ela conexões", ao mesmo tempo que "nos responsabiliza pela regeneração do espaço envolvente".

Para Jorge Sobrado, a devolução do Abrigo dos Pequeninos "ilustra o fundamento de uma política museológica, que é dar um novo futuro ao património e à identidade de uma cidade". "No património nunca acabamos, estamos sempre, de alguma forma, a voltar ao início, a nascer de novo", sublinha.

No mesmo sentido, o presidente da Câmara do Porto releva a importância de "cuidarmos da nossa memória, do nosso património coletivo, da nossa identidade enquanto comunidade". "Há uma componente de memória, de património que é imprescindível, que nos vai ligando ao longo do tempo", afirma.

Por isso, Pedro Duarte considera "curioso como uma casa que começou com uma preocupação extraordinariamente social e humana, o cuidar de crianças mais vulneráveis, nos traz aqui hoje, também com um sentido de cuidado".

Com a ambição de fazer deste "não apenas um espaço imóvel com um acervo de uma riqueza incontestável", o autarca anseia que o Abrigo dos Pequeninos "seja um ponto de encontro, um espaço vivo e democrático, aberto e acessível a todos".

Olhando para o espaço – material e imaterial – como de "um valor incalculável, ao serviço da memória e do futuro da cidade", Pedro Duarte denota no novo abrigo das reservas do Museu do Porto "um lugar que nos ajuda a nunca nos esquecermos de quem somos e quem queremos ser, renovando permanentemente".

 

Fonte: CM Porto
Foto: Portugal 2030

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