António Costa a ficar sem pilhas

OPINIÃO
Por Joaquim Jorge*

O problema de um político é não poder esquecer-se como chegou ao poder. E, um político define-se da forma como chega ao poder e do modo como sai do poder.

José Sócrates lembrou-lhe isso em recente entrevista de uma forma dissimulada e mandou umas indirectas que têm repercussões.

António Costa, antes de ser primeiro – ministro, foi ministro de José Sócrates. A sua célebre expressão, “ política o que é da política, à justiça o que é da justiça" foi uma forma inteligente de se demarcar dos problemas de José Sócrates, mas não nos podemos esquecer que um partido é constituído por militantes e têm uma forma de actuar e de se relacionar interpares.

O PS defende sempre os seus e aprecia solidariedade. Muitos socialistas não perdoaram a falta de apoio manifestada a José Sócrates, outros socialistas nunca desculparam o que fez a Antonio José Seguro, aqueloutros nunca se reviram na geringonça. 

O poder faz calar muitas mentes, mas uma coisa é o silêncio, outra bem diferente é o esquecimento, há coisas que não se podem ignorar e perduram.

António Costa depois do OE 2022 ter sido chumbado quer livrar-se da geringonça, mas renegar o passado é uma faca de dois gumes.

António Costa leva muito tempo na política e recorre ao engenho para lá da ortodoxia política. Esta sua aposta de um acordo com o BE e PCP foi arriscada, mas foi a única maneira de sobreviver. Antes, já tinha desafiado António José Seguro sem razão aparente, visto que o PS tinha vencido as eleições europeias.

Em política todas as decisões têm consequências e nesta fase que as sondagens dão uma aproximação do PSD e noutras o PSD à frente. Começa a pairar no ar a sensação que o PS pode perder. 

Faz lembrar um ciclista em fuga que depois é apanhado pelo ciclista perseguidor. Quem vem atrás e começa a ver o seu adversário, ganha um alento suplantar para chegar-se à frente  e até o pode ultrapassar. 

António Costa, um dia foi apelidado de “político Duracell”, mas as pilhas estão a ficar gastas.
O PS teve um líder António Costa,  que derrubou outro ( António José Seguro) de uma forma pouco bonita e elegante.

O PS teve um líder durante seis anos que formou dois governos com o BE e PCP, no primeiro nem venceu as eleições, mas a arte e o engenho fizeram a diferença.

Agora pode pagar caro todas essas deambulações e habilidades. Os seus adversários dentro do PS anseiam por esse dia.

O PSD e Rui Rio têm vindo a sonhar com esse dia.

Por sua vez, os portugueses vão ter a última palavra.

 

*Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores 

 

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