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O Primeiro de Janeiro

13 Jul 2022, 0:00

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As temperaturas muito elevadas poderão provocar um "desavinho" na Região Vinhateira do Douro

“Já não se considera que a produção atinja o intervalo mínimo das 262 mil pipas de vinho”, antevê a diretora-geral da ADVID.
A seca e as temperaturas muito quentes poderão provocar uma “quebra de produção assinalável” de vinho nesta vindima na Região Demarcada do Douro, adiantou esta segunda-feira a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID).
O ano de 2022 é de incertezas para a mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo – o Douro – devido às condições que se fazem sentir, como a falta de água, que provoca stress hídrico na videira, e o calor intenso. “O que nós verificamos foi que as temperaturas muito elevadas levaram ao desavinho, a secura a uma menor expansão da parede vegetativa (folhas) e a bagos mais pequenos”, explicou Rosa Amador, diretora-geral da ADVID, com sede em Vila Real, perspetivando uma “quebra de produção assinalável” neste território.
O desavinho é um acidente fisiológico em que não ocorre a transformação das flores em fruto.
A associação divulgou, na segunda-feira, a previsão de produção para a vindima de 2022, que se situa num intervalo entre as 262 mil e as 287 mil pipas de vinho. No entanto, a responsável advertiu que, neste momento, “já não se considera que a produção atinja o intervalo mínimo das 262 mil pipas de vinho”.
“É muito difícil fazer a previsão de qual é a quebra”, admitiu Rosa Amador. No ano passado, a produção declarada de vinho no Douro atingiu as 264 mil pipas. A responsável explicou que as previsões da ADVID são baseadas no método de pólen recolhido na fase de floração da videira, entre maio e junho, nas três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior e, por isso, não têm em consideração os fatores pós-florais, que podem alterar o potencial de colheita.
“Este ano a nascença foi muito boa. O potencial produtivo era muito bom”, apontou. O inverno e a primavera já foram secos, no entanto, entre junho e julho as condições ficaram ainda mais adversas e, segundo a responsável, as previsões indicam que esta será uma semana de “condições de escaldão” (em que o bago fica queimado)”.
Em contrapartida este é um ano sem problemas a nível de doenças e pragas na vinha. Segundo Rosa Amador, 2017 foi um ano com “previsões muito idênticas” a 2022 e em que a produção de vinho foi de 232 mil pipas e a previsão, no intervalo mínimo, era de 255 mil pipas.
“Não sabemos se a quebra este ano não pode ainda ser maior tendo em conta o que ainda falta (até à vindima). A maturação está, agora, a iniciar-se e o bago já está mais pequeno e nalgumas situações, ainda pontuais, mas já estamos a verificar paragens de crescimento, na maturação, por causa da temperatura”, referiu. E acrescentou que, “mesmo nas situações regadas (…) as condições são bastante adversas”. 
“A videira, com temperaturas elevadas, adapta-se. Adaptou-se com o desavinho, manda cachos fora, adaptou-se com a parede vegetativa mais reduzida e adaptou-se com os bagos mais pequeninos, ela vai-se adaptando. O problema é que a produção vai diminuindo”, apontou. As maiores dificuldades poder-se-ão sentir no Douro Superior e nas zonas mais baixas do Cima Corgo.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), mais de um quarto do território do continente estava no final de junho em seca extrema (28,4%), verificando-se um aumento em particular na região Sul e em alguns locais do interior Norte e Centro.

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