Augusto Santos Silva diz que ameaças russas não amedrontam Portugal

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse hoje que as ameaças da Rússia não amedrontam nem intimidam Portugal, um país pouco exposto ao gás e ao petróleo russo.

Santos Silva falava aos jornalistas no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, onde hoje recebe o ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, Carlos Alberto França, com as comemorações do bicentenário da independência do Brasil na agenda, assim como a guerra na Ucrânia.
“Essas ameaças [da Rússia e do presidente Putin] não nos amedrontam nem nos intimidam. Nós decidimos as nossas posições em concertação, quer no quadro das Nações Unidas, quer no quadro da União Europeia e da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte - NATO], e fazemos valer essas decisões que tomamos autonomamente nas organizações a que pertencemos”, disse.
A Rússia elaborou uma lista de países "hostis", incluindo Portugal, enquanto Estado-membro da União Europeia, juntamente com Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá, entre outros, aos quais as empresas russas poderão pagar dívidas em rublos, moeda que desvalorizou 45% desde janeiro.
Sobre as sanções à Rússia, no seguimento da invasão de 24 de fevereiro à Ucrânia, Santos Silva recordou que estas foram as que foram aprovadas, designadamente no quadro da União Europeia (UE).
Essas sanções, recordou o ministro, foram aprovadas em três momentos diferentes, constituindo três pacotes diferentes, sendo sanções de natureza política, dirigidas a um conjunto de pessoas russas, e outras de caráter económico.
Face a um eventual corte no abastecimento do gás e petróleo russo à Europa, Augusto Santos Silva recordou que há vários anos que Portugal, com os seus sucessivos governos, tem vindo a fazer o seu trabalho “no sentido de tornar Portugal casa vez menos dependente de energia fóssil”.
“Neste momento, da eletricidade consumida em Portugal, 60% já decorre de fontes renováveis de energia produzidas localmente: energia hídrica, eólica e solar”, prosseguiu.
Em relação ao gás e petróleo, o ministro explicou que Portugal importa-os de “um conjunto diversificado de países, situado nas Américas, em África e na Europa”.
“Em resultado dessa política de diversificação, a nossa exposição atual ao gás e petróleo russo é muito baixa”, frisou.
E adiantou: “Não temos consequências diretas, não somos um país de grande exposição à energia proveniente da Rússia. Fazemos parte de uma UE muito dependente e, dentro da UE procuramos fazer valer a importância absolutamente estratégica de fazer diminuir a dependência da Europa face à Rússia em matéria de energia”.
Nesse domínio, o ministro disse que a estratégia de Portugal passa por “diversificar as fontes e as rotas de abastecimento de energia à Europa”, o que “passa por aumentar as interconexões ente Portugal e Espanha e entre Portugal e Espanha e o resto da Europa”.
“Nós neste momento precisamos de aumentar o gás que recebemos de outras origens que não a Rússia. Uma das duas origens possíveis e exequíveis são os Estados Unidos e os países africanos”, afirmou.
Nesse domínio, o ministro disse que a estratégia de Portugal passa por “diversificar as fontes e as rotas de abastecimento de energia à Europa”, o que “passa por aumentar as interconexões ente Portugal e Espanha e entre Portugal e Espanha e o resto da Europa”.
“Nós neste momento precisamos de aumentar o gás que recebemos de outras origens que não a Rússia. Uma das duas origens possíveis e exequíveis são os Estados Unidos e os países africanos”, afirmou.
“O gás que vem, vem por mar, nos navios que aportam nos portos europeus, havendo na Península Ibérica o mais habilitado para os receber, de águas profundas (Sines). De Sines, o gás pode ir por mar ou por terra. Por terra precisa de um gasoduto. Neste momento há duas interconexões de gás entre Portugal e Espanha e queremos construir uma terceira e queremos que haja mais uma interconexão entre Espanha e a França, para justamente o gás que chega à Europa pela Península Ibérica possa chegar à Europa central e de leste”, referiu.
E sublinhou: “Nos últimos dias tem-se tornado claro para muita gente que isto não é preparar o futuro, é responder ao nosso presente mais imediato”.

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