Batalha encontrou tesouros do cinema portuense que relatam décadas da cidade

Se as histórias estão por toda a cidade, a arte que melhor as conta – o cinema – também. "Perdidas" nos arquivos municipais ou "enterradas" nos Jardins de Nova Sintra, foram encontradas mais de seis dezenas de filmes – alguns profissionais, outros filmagens mais familiares – que documentam a vida do Porto desde os anos 40. Digitalizados, estão, agora, acessíveis na Filmoteca do Batalha Centro de Cinema, uma coleção à espera do mais da imagem em movimento que os portuenses tiverem guardado em casa.

"A chuva caía quase constantemente sobre a cidade do Porto, que se prepara para receber, festivamente, o chefe do Estado. A beleza austera da cidade torna-se mais austera ainda envolvida pelo tom cinzento dos dias sem sol”. Assim descreve o pequeno filme sobre a passagem do antigo Presidente da República, Américo Tomás, pelo Porto, onde assistiu à inauguração do Bairro da Fonte da Moura ou ao avanço das obras da Ponte da Arrábida.

É um dos 66 filmes – de 16 e 35 mm – que o Município encontrou, recentemente, nos arquivos, uma "herança do antigo Gabinete de História da cidade", considera a diretora de Cultura, Alexandra Lima. "O Porto explicado através da imagem em movimento", reforça o diretor artístico do Batalha.

Reconhecendo o "grande valor documental" das obras, que "retratam a vida da cidade, nos seus momentos mais institucionais, mas também de transformação e do quotidiano", Guilherme Blanc afirma que "todas elas explicam a relação do Porto com o cinema. É através deste cinema que se pode compreender melhor a cidade na sua história".

Há obras de César Guerra Leal ou António Reis, mas também as festas de São João, a construção da Ponte da Arrábida ou a demolição do Palácio de Cristal, inaugurações, visitas de Estado, e mesmo casamentos e cinema mais amador.

Deste lote de tesouros, fazem ainda parte duas curtas-metragens sobre o sistema de abastecimento de água à cidade. Encontradas no subsolo de um casebre nos Jardins de Nova Sintra, foram restauradas pela Águas e Energia do Porto e a Cinemateca Portuguesa para enriquecer o património fílmico que conta a história da cidade.

Para Rui Moreira, este "é um arquivo extremamente interessante e é muito importante que possa ser divulgado". Nas palavras do presidente da Câmara, o processo de digitalização de filmes "prolonga uma experiência de divulgação de arquivos mortos da cidade transformando-os em arquivos vivos", tal como já vinha sendo feito pela Fonoteca.

"Este era um arquivo que estava guardado num baú, felizmente bem tratado, mas que não tinha possibilidade de visualização", lembra o autarca, sublinhando a sua importância "para percebermos como era a cidade, como era vista pela Câmara. Há qualquer coisa de político nisto".

Do baú para a tela da Filmoteca

Estes filmes juntam-se àquilo que Guilherme Blanc considera que tem sido um "processo de descoberta", que é a digitalização de mais de uma centena de obras pelo Arquivo Municipal no último ano.

A Filmoteca, um espaço na biblioteca do Centro de Cinema, "está preparada para ter agora uma dimensão pública programática, depois de a termos feito crescer de uma forma silenciosa", considera o diretor artístico.

O objetivo é disponibilizar, de forma gratuita, "obras que documentam a vida política, social, artística, cultural da cidade", criando "o hábito de as pessoas virem aqui, a meia da tarde ou da manhã, ver um filme".

Entre a vasta coleção, destacam-se obras primordiais do cinema de animação do Porto — como "Oh que Calma", de Abi Feijó, ou “A Noite”, de Regina Pessoa — , ou o único registo audiovisual conhecido do crítico e historiador de cinema portuense Henrique Alves Costa, "Memórias" (2020), de Adriana Rocha, José Alberto Pinto e Luís Vieira Campos.

Este que será projeto em crescimento contínuo, se puder contar com a contribuição de todos. "Há muitos filmes perdidos nos baús das avós. Há muita coisa aí pela cidade e seria ótimo que as pessoas pudessem disponibilizar isso", apela o presidente da Câmara, para que o Município os possa digitalizar, divulgar e, assim, engrandecer o conhecimento comum sobre a Invicta através da imagem em movimento.

 

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