30 Sep 2025, 8:05
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De forma a "aproveitar a oportunidade de ser criado um lugar de divulgação, consagração e celebração da vida e da obra de Almeida Garrett", o Executivo aprovou, na reunião desta segunda-feira, apenas com o voto contra do Bloco de Esquerda, a aquisição de parte da casa, situada no Centro Histórico, onde o escritor terá vivido os primeiros anos. Investimento no valor de um milhão de euros segue para discussão pela Assembleia Municipal.
A "casa onde nasceu aos 4 de fevereiro de 1799, João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett" constitui "o mais relevante testemunho urbanístico nacional da passagem" do escritor pela cidade, "um marco da história e identidade portuense e portuguesa, sendo o local ideal para a criação de um espaço museológico de valorização da sua vasta obra literária, bem como do Liberalismo e Romantismo portugueses, dos quais também é seu representante", pode ler-se na proposta.
Com um pedido de licenciamento em curso para realizar obras de alteração e ampliação, que resultarão em 11 fogos e duas unidades de comércio e serviços, o proprietário do imóvel aceitou alienar uma das futuras frações ao Município do Porto.
Trata-se de uma fração com três pisos e área bruta de construção de cerca de 364 m2, cujo acordo pressupõe a criação de um núcleo de homenagem à figura de Almeida Garrett aberto ao público.
A proposta sublinha como este se trata de "um local carregado de simbolismo, por estar ligado ao nascimento de uma figura icónica da cidade do Porto e da cultura portuguesa, último bastião do representante do Porto às cortes nacionais e sobre o qual muito se escreveu e desenhou, aquando da sua identificação como local de nascimento da referida figura".
Desde essa época que se pretendeu criar um núcleo de homenagem a Garrett, "nunca tendo sido concretizado", acrescenta.
No final da reunião, o presidente da Câmara do Porto sublinhou que "aquele edifício está classificado, está protegido, faz parte do Património Mundial da Humanidade", pela zona em que se insere. Assim, "qualquer intervenção ali está sujeita à tutela do Ministério da Cultura", fez notar Rui Moreira.
Sobre o valor, o autarca esclareceu que "a avaliação que pedimos considerou que um milhão de euros era o máximo a que podíamos ir".
Para Rosário Gambôa, do PS, "a possibilidade de se construir um polo do Liberalismo na casa de um dos principais liberais, numa cidade que ostenta, para sua bandeira o Liberalismo, é bastante importante".
Pela CDU, Joana Rodrigues ressalva a importância de "o Porto ter esta casa, património da cidade" e de ali continuar a figurar "um edifício de história, de memória, não só de Almeida Garrett, mas de tudo o que significa para a cidade e para o país".
Fonte: CM Porto
Foto: Casa de Almeida Garrett