20 Mar 2024, 14:44
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O Porto é a cidade portuguesa com maior crescimento de cocaína detetada nas águas residuais, segundo um relatório hoje divulgado e que analisou 88 cidades europeias, mais de metade (50) das quais revelam uma tendência idêntica.
Um estudo europeu divulgado esta quarta-feira sobre as águas residuais de 88 cidades, revela que em mais de metade (50) os vestígios de cocaína detetados nas estações de tratamento, demonstram um aumento da utilização desta droga.
Em Portugal, a cidade do Porto lidera o ranking de crescimento e é a cidade portuguesa com mais vestígios de cocaína.
O estudo “Wastewater analysis and Drugs – A European multi-city study”, publicado pelo grupo europeu SCORE, em colaboração com o Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (EMCDDA, na sigla em inglês), realizado em 24 países (23 da União Europeia + Turquia) e 88 cidades, entre elas as portuguesas Lisboa, Porto e Almada, detetou em análises de Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) uma “tendência crescente” desde 2011 do consumo de cocaína.
Pela primeira vez neste estudo, que analisou amostras diárias de águas residuais durante um período de uma semana, entre março e maio de 2023 e a que a agência Lusa teve acesso, são apresentados dados internacionais fora da União Europeia (UE), como por exemplo do Brasil, Estados Unidos e Nova Zelândia, noticia o Porto Canal.
Juntamente com o aumento constante das deteções de cocaína, o estudo mostra um aumento recente do uso de MDMA/ecstasy, após um quadro misto na análise anterior.
No caso das anfetaminas e da canábis, as análises registaram padrões divergentes, enquanto nas metanfetaminas mais de metade das cidades registam uma diminuição. Apesar de as deteções variarem consideravelmente entre os locais estudados, "é significativo" que todas as seis drogas ilícitas investigadas tenham sido encontradas em quase todas as cidades participantes, adianta um resumo do estudo.
Em comparação com análises anteriores, verifica-se uma menor divergência nos hábitos de consumo de droga entre cidades grandes e pequenas.
“Das 72 cidades que dispunham de dados para 2022 e 2023, 49 reportaram um aumento, enquanto para 13 cidades não existiu qualquer alteração e 10 outras registaram uma diminuição. Quando comparadas com locais de estudo fora da UE, cidades no Brasil, na Suíça e nos Estados Unidos apresentam níveis de utilização semelhantes aos das cidades europeias com valores mais elevados”, adianta o documento.
Segundo o mesmo órgão de informação, quanto às metanfetaminas, com um consumo tradicionalmente concentrado na Chéquia e na Eslováquia, esta substância está agora também presente na Bélgica, no leste da Alemanha, em Espanha, em Chipre, nos Países Baixos e na Turquia e em vários Estados do norte da Europa (Dinamarca, Lituânia, Finlândia e Noruega). Nas 67 cidades com dados relativos a 2022 e 2023, mais de metade (39) reportaram uma diminuição, 15 um aumento e 13 uma situação estável, enquanto nos restantes os valores encontrados foram e muito baixos a negligenciáveis, embora alguns aumentos tenham sido relatados nas cidades do centro e sul da Europa.
No que se refere ao MDMA, das 69 cidades com dados em igual período, 42 comunicaram um aumento nas deteções (principalmente do sul e centro da Europa), 16 uma diminuição (principalmente no norte da Europa) e 11 uma situação estável, com os resíduos mais elevados encontrados em localidades da Bélgica, da Alemanha, da Espanha, França e dos Países Baixos.
Os dados de 2023 referentes à cetamina revelaram níveis relativamente baixos nas águas residuais comunicados por 49 cidades, mas com sinais de aumento em mais de metade destas.
O diretor do EMCDDA, Alexis Goosdeel, sublinha no resumo do documento que "a monitorização das águas residuais é um indicador de vanguarda valioso, que permite alertar precocemente para ameaças emergentes para a saúde e para a mudança de tendências”.