Clima tenso entre IL e Rui Moreira sobre Alojamento Local. Partido e independentes garantem continuar “alinhados”

A reunião nº 28 da Assembleia Municipal do Porto prometia ser curta e sem espaço para grandes surpresas. O cenário acabou, no entanto, por alterar-se.

Apesar de a proposta para a suspensão de novos registos de estabelecimentos de Alojamento Local ter sido aprovada, três deputados do Movimento Independente, “Porto, o nosso movimento”, decidiram abster-se. Os três são militantes da Iniciativa Liberal, partido que apoiou Rui Moreira nas duas últimas eleições autárquicas.

Fátima Ferreira da Silva, Matilde Gouveia e Rocha e Pedro Schuller. Os três levantaram a mão quando Sebastião Feyo, presidente da Assembleia Municipal, questionou que deputados se queriam abster na votação desta segunda-feira. Na sala sentiu-se de imediato algum alvoroço, que pode espelhar o “clima de mau estar, que segundo uma fonte próxima do movimento independente tem caracterizado a relação entre a equipa de Rui Moreira e a Iniciativa Liberal.

Apesar disso, tanto os deputados em causa como o executivo relativizam o episódio. Ricardo Valente, vereador da Câmara do Porto, que também é militante da Iniciativa Liberal, recusa que exista um clima de tensão e reforça que o partido “continua alinhado” com a Câmara. Aliás, “se não estivesse, não haveria espaço para um vereador liberal na autarquia”, afirma.

Para Ricardo Valente, “a liberdade de voto caracteriza precisamente o espírito liberal” e “não há nenhum problema em que as pessoas tenham divergências”. De recordar que o vereador é o autor da proposta de suspensão de novos registos de Alojamento Local na cidade do Porto.

Já Pedro Schuller, um dos deputados do movimento independente que se absteve na votação, garante que a decisão “é uma consequência da liberdade”, mas não demonstra um “desalinhamento” com Rui Moreira. Para o deputado, não é obrigatório que todos os membros da bancada estejam “no mesmo compasso”. “É a beleza da liberdade democrática a funcionar”, remata.

Ao Porto Canal, Pedro Schuller fez ainda saber que vai entregar ao presidente da Assembleia Municipal uma declaração de voto, onde estará “plasmada a justificação” para a decisão desta segunda-feira.

Também Tiago Mayan, rosto forte da ligação entre a Iniciativa Liberal e o movimento independente, considera que “episódios ocasionais não determinam uma alteração ao contexto” que levou o partido a apoiar a candidatura de Rui Moreira. “Cada um de nós tem as suas opiniões”, mas “não há nenhuma razão para acreditar que existam motivos para desfazer o acordo”, explica o presidente da União de Freguesias da Foz do Douro, Aldoar e Nevogilde.

Além de Pedro Schuller, também Fátima Ferreira da Silva se absteve na votação da proposta para a suspensão dos novos registos de Alojamento Local. Contudo, a posição da deputada não constitui uma surpresa. A agora ex-vice-presidente do grupo municipal do movimento de Rui Moreira entrou em colisão com o autarca do Porto, depois de uma troca de acusações, durante uma sessão da Assembleia Municipal, sobre o consumo de droga na freguesia de Massarelos e Lordelo do Ouro.

Durante o período dedicado à apreciação da atividade do município, Fátima Ferreira da Silva referiu-se ao "ambiente de insegurança que se vive” com o consumo de substâncias ilícitas nas imediações do jardim do Fluvial. “Não temos tido reações dos moradores, mas o ambiente que se vive está cada vez mais pesado em termos de segurança”, disse a eleita, dando, como exemplo, o elevado número de tendas de campismo, “relatos de crianças que são abordadas” por toxicodependentes, “assaltos à luz do dia” e vários “dejetos de seringas”.

Em resposta à deputada, Rui Moreira salientou que as questões de proteção e segurança não dependem da Câmara, mas do Ministério da Administração Interna e da Polícia da Segurança Pública (PSP). O autarca acusou ainda a deputada do movimento independente de fazer “pura demagogia”, algo que não aprecia no seu movimento.

Na sequência deste episódio, Fátima Ferreira da Silva, militante da Iniciativa Liberal, acabou por apresentar a demissão do cargo de vice-presidente do grupo municipal. O lugar é agora ocupado por Patrícia Rapazote, presidente da Junta de Freguesia de Ramalde.

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