Comerciantes do Bolhão defendem gestão camarária do equipamento

Cerca de cinco dezenas de comerciantes do Mercado do Bolhão criaram um grupo de trabalho cujo manifesto defende a gestão camarária do equipamento e a dinâmica trazida ao espaço tradicional com a abertura de novos negócios. Na sessão da Assembleia Municipal de segunda-feira, os promotores da iniciativa voltaram a demarcar-se da Associação Bolha D’Água, que diz representar todos os comerciantes.

"Essa não é a realidade", garante Hugo Silva, que aprova as "novas valências" do Bolhão, certo de que "para nós, continua a ser um mercado de frescos". Aos deputados, o responsável do Bolhão Wine House afirmou estarem ali porque querem "mostrar que existimos e queremos ser ouvidos".

Defendendo a continuidade da "gestão camarária", o comerciante sublinha que "estamos juntos para que o mercado continue a crescer e para que continue a ser, não só do Porto, mas de quem habita a cidade".

Também por isso, não deixou de apelar a "mais habitação na cidade para que os portuenses vão cada vez mais ao mercado".

Antes de Hugo Silva, Susana Fernandes falou aos deputados sobre "um mercado que, para mim, é casa". Reforçando como este não foi um Município "que nunca quis saber dos comerciantes", a esposa do "André Amolador" lembrou os "tempos muito difíceis" do Mercado Temporário, durante os quais a autarquia "nos deu muita aprendizagem, a quem quis aproveitar, tivemos muitos cursos".

À Assembleia e ao Executivo, Susana Fernandes apelou a que "continuem a batalhar pelo Bolhão" para que este "continue a ser casa para todos".

Dona de uma banca de peixe no mercado, Sara Ferreira reforçou aos deputados que "a Associação Bolha D’Água não nos representa". "Fui eu que criei essa associação, mas não sei quem elegeu a presidente porque eu não fui convidada para nenhuma eleição", sublinha a comerciante.

Sobre as críticas à reabilitação do equipamento, Sara Ferreira lembra que "quando cheguei ao mercado entrava chuva e vento" e diz considerar a intervenção "uma obra belíssima. Melhor que aquilo não vai haver".

 

Fonte: CM Porto
Foto: CMP | João Pedro Rocha

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