Conceição fez do Porto campeão

Após 2.552 dias no comando técnico do FC Porto, Sérgio Conceição irá abandonar o cargo que ocupa há sete temporadas. Para trás fica um percurso recheado de recordes e troféus: onze, mais precisamente, entre campeonatos (três), Taças de Portugal (quatro), Supertaças Cândido de Oliveira (três) e Taças da Liga.
O homem natural de Ribeira de Frades mudou-se para a Invicta muito antes de ser apresentado como treinador do clube do coração. Em 1991, com apenas 16 anos, o promissor futebolista chegou ao Estádio das Antas à boleia do pai José e o que se seguiu foram tempos muito difíceis para um adolescente longe de casa.
Refugiou-se nos amores de uma vida - Liliana, com quem viria a casar e a ter cinco filhos, e o desporto que hoje todos apaixona -, concluiu a formação nas escolinhas portistas e iniciou o percurso como sénior entre empréstimos ao Penafiel, Leça e Felgueiras. Voltou às Antas a pedido de António Oliveira, timoneiro responsável pelo terceiro e quarto títulos do Penta e que fez de Sérgio Conceição um dos melhores alas direitos da Europa.
Decidida a construir uma equipa de craques, a Lazio contratou-o juntamente com Fernando Couto, Mihajlovic, Stankovic, Marcelo Salas ou Vieri e arranjou mais um ídolo para os tiffosi. Em duas temporadas na cidade eterna, o “amigo Conceição” venceu uma Taça das Taças, uma Supertaça Europeia, um scudetto, duas Taças e uma Supertaça de Itália. Pelo caminho ainda marcou um hat-trick a Oliver Kahn no Portugal 3-0 Alemanha do Euro 2000.
Alcançado o desígnio, fez escala em Parma onde encontrou outro balneário recheado de estrelas como Buffon, Cannavaro ou Thuram, contudo não teve o sucesso desejado e por isso rumou a Milão, até ao Inter de Zanetti, Seedorf, Recoba, Vieri ou Ronaldo. Após nova (mas curta) passagem pelo Olímpico de Roma, regressou ao clube do coração a tempo de o ver sagrar-se Campeão da Europa pela segunda vez - e a ganhar mais uma Liga, claro está.
José Mourinho saiu e Sérgio Conceição também, acabando por aterrar na Bélgica e criando uma forte ligação com o Standard Liège, emblema que o acolheu entre 2004 e 2007 até Sérgio Conceição decidir sentir os ares do deserto. A experiência no futebol árabe durou pouco, as portas do PAOK abriram-se de imediato e foi em Salónica, sob o comando de Fernando Santos, que o “eterno insatisfeito” pendurou as botas.
Terminada uma carreira estava prestes a iniciar-se outra, ainda mais proveitosa. Sérgio Conceição até começou como diretor desportivo dos gregos, mas cedo sentiu falta do cheiro a relva e por isso voltou à Bélgica para integrar a equipa técnica do Standard. As saudades de casa apertavam, por isso decidiu aceitar o convite do Olhanense e iniciar uma aventura a solo.
Acabado de salvar os algarvios da descida de divisão, sucedeu a Pedro Emanuel no banco da Académica de Coimbra, onde se manteve até surgir uma proposta do SC Braga. Daí para Guimarães foi um tiro e da Cidade Berço para Nantes também. O telefonema que sempre quis receber surgiu em finais de maio de 2017.
Depois de quatro anos sem qualquer conquista no futebol, Jorge Nuno Pinto da Costa apostou as fichas todas num velho amigo que recolocou o FC Porto na rota dos triunfos. Dito e feito. Logo à primeira oportunidade, a dupla manteve o Penta um exclusivo dos Dragões com direito a máximo de pontos (88). 2018/19 arrancou com a vitória na Supertaça, porém não terminou da forma desejada.
Sérgio Conceição sempre se alimentou das adversidades e nunca baixou os braços, por isso continuou a trabalhar mais do que a concorrência para reconquistar o título durante o confinamento e depois de ter estado sete pontos atrás do Benfica. Não satisfeito, bateu o rival nas finais da Taça e da Supertaça.
Nos meses seguintes voltou a erguer o caneco a que Cândido de Oliveira dá nome, estreou o filho Francisco na equipa principal e lançou as bases para a melhor campanha de que há memória: 2021/22, o ano de ouro em que o FC Porto estabeleceu novos recordes de pontos na Liga (91), de jornadas seguidas sem perder (58, um máximo europeu) e, tal como André Villas-Boas havia feito, festejou o título no Estádio da Luz.
A época 2022/23 não terminou nos Aliados, mas acabou com mais três troféus nas vitrines do Museu - entre eles a esquiva Taça da Liga, que fez dos portistas detentores de todos os títulos nacionais-, e com Sérgio Conceição a inscrever o nome a letras douradas num livro de honra de vitórias sem igual.
Aos 49 anos, mais de três décadas depois de ter começado a defender o brasão abençoado, despede-se do FC Porto como o treinador com mais jogos (379), vitórias (274) e troféus (11) da história azul e branca. Obrigado, Sérgio Conceição.

 

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