Demolição parcial do Edifício Transparente e mudança de local da sala de consumo vigiado “não vão sofrer recuos”

O presidente da Câmara do Porto assegura que as decisões municipais assumidas em relação à demolição parcial do Edifício Transparente e à mudança de local da sala de consumo vigiado não vão sofrer recuos. No final da reunião de Executivo, Pedro Duarte garantiu que ambas as soluções se revestiram de consenso técnico e concordância popular.

Em relação à deslocalização da sala de consumo vigiado, da Pasteleira para o Aleixo, o autarca lembrou que "a decisão não é só da Câmara do Porto, mas conjunta com o Ministério da Saúde, com o ICAD [Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências]", sendo tomada depois de ouvir outras entidades, assim como os próprios técnicos.

Pedro Duarte assegura que "a motivação original é darmos melhores condições do que temos hoje", investindo 600 mil euros numa nova infraestrutura com o dobro do tamanho da atual, instalada "numa localização que vai dar outras perspetivas na saúde pública, que é o primeiro objetivo desta sala".

Admitindo que a estrutura "foi colocada naquele local num contexto diferente do atual", o presidente da Câmara sublinha que "há um consenso técnico para a instalar na nova localização".

Questionado sobre a pertinência de investir num espaço novamente amovível, Pedro Duarte lembra a fluidez das dinâmicas e que "uma das prerrogativas deste tipo de salas é poder estar próxima de locais onde há tráfico".

A par da fundamentação técnica, o autarca releva o "equilíbrio social e urbano" da resposta e garante que o Município "vai encontrar novas e melhores soluções permanentemente para enfrentarmos o problema".

Relativamente ao Edifício Transparente, que deverá ser parcialmente demolido, o presidente da Câmara admite que "pode ter tido razões para ter sido construído, mas, hoje em dia não há nenhuma razão para estar ali". "É um empecilho em todos os aspetos", considera.

Admitindo opiniões contrárias à decisão, o autarca considera que "não vemos razão para recuar na decisão, pelo contrário". "As manifestações de apoio popular têm sido muitíssimo intensas. Julgo que há um consenso muito abrangente na cidade", partilha.

Ainda assim, Pedro Duarte tem "todo o interesse" no contacto manifestado pela Ordem dos Arquitetos que, afirma, "se calhar por razões afetivas, talvez por algum peso na consciência por terem tido uma ação num edifício que os próprios assumem que é inútil, talvez tenha uma atitude mais agressiva" em relação à decisão.

Para o futuro, o presidente vislumbra a requalificação de toda a zona envolvente, "tornando-a mais apetecível, mais interessante para os portuenses e também para os turistas". Na visão de Pedro Duarte, "a nossa ideia de cidade é que o espaço público, designadamente os espaços verdes, sejam colocados ao serviço dos cidadãos e seja um elemento atrativo, incentivador de que as pessoas vivam a cidade em comunidade”. E, para isso, é necessário intervir naquela que considera "uma barreira inexplicável".

Oposição divide-se no apoio às medidas

Pelo Partido Socialista, Manuel Pizarro considera que "falta uma justificação técnica e económica para a demolição do Edifício Transparente". O vereador sublinha que "ali funciona hoje um centro empresarial inovador e muito útil à cidade e à economia da região", considerando "leviana a decisão de demolir por uma opção estética". Na opinião do socialista, "é uma péssima utilização dos recursos públicos".

Já o Chega admitiu concordar com a decisão de demolir parte do equipamento. "Edifícios com aquela estrutura no Parque da Cidade não devem existir". "Temos de estar no combate à construção. Não há benefícios em criar muros de betão naquela zona da cidade", considera Miguel Corte-Real, que admite que a autarquia "contará com o nosso apoio desde que tenha um plano sustentando e que faça sentido para a cidade".

No que diz respeito à nova localização da sala de consumo assistido, Manuel Pizarro afirma que "não havendo uma resposta integrada para o problema de consumo de droga no Porto e o impacto nas comunidades, debater a localização da sala é um debate estéril". "As pessoas mais próximas vão sempre sentir-se incomodadas com a presença da sala", admite o vereador socialista, sublinhando a necessidade de um "plano global para resolver a questão das dependências".

Para Miguel Corte-Real, este é um tipo de decisão "que devia ter sido trazida aos órgãos públicos", uma vez que a primeira decisão "foi tomada pelo Executivo e pela Assembleia Municipal". Ao mesmo tempo, o vereador do Chega afirma a necessidade de saber "o que é que está a ser feito, em antecipação, para garantir que o impacto que tem na zona circundante não se vai replicar", nomeadamente em matéria de segurança e saúde pública.

 

Fonte: CM Porto
Foto: CMP | Andreia Merca

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