Empresário César Boaventura acusado de 10 crimes relacionados com transferências de jogadores

Ministério Público acusa empresário de cinco crimes de burla qualificada, três de falsificação de documentos, um de fraude fiscal qualificada e um outro de branqueamento de capitais, noticia a revista Visão.

A Operação Malapata, que envolve o empresário de jogadores de futebol César Boaventura, tem novos desenvolvimentos. O despacho de acusação do Ministério Público (MP) já é conhecido e a procuradora Cristina Pires, citada pela revista Visão, explica desta forma o caso: “Para além da notoriedade que procurava e publicitava nas redes sociais, César Boaventura, para conferir maior credibilidade à sua veste de empresário de futebol de sucesso, fabricou contratos de exploração de direitos de imagem, confissões de dívida e extratos bancários, documentos utilizados para convencer terceiros a entregarem-lhe as importâncias que o mesmo foi pedindo e que foram canalizadas para fins distintos ao que anunciava”.

O processo envolve transferências de jogadores e contas bancárias por onde circulavam milhares de euros, escreve a Visão, apesar de César Boaventura ter sido declarado insolvente pelo Tribunal de Famalicão em outubro de 2014. O empresário está acusado de 10 crimes, entre eles cinco de burla qualificada, três de falsificação de documentos, um de fraude fiscal qualificada e um outro de branqueamento de capitais.

O empresário “divulgou ter ativos virtuais, utilizando para o efeito um ficheiro de vídeo manipulado, que exibia e enviava para terceiros (…), convencendo-os de que tinha uma carteira de critpomoedas em seu nome, com um saldo de 2,889 biliões de euros”, pode ler-se na acusação do MP.

José Barros Lima é uma das vítimas das burlas do empresário, noticia a publicação semanal. O administrador da Texamérica, empresa ligada ao setor têxtil, terá financiado César Boaventura com promessas de retorno. A acusação refere que Boaventura terá mostrado a José Barros Lima “um extrato de uma conta de que afirmava ser titular e que tinha um saldo de 27 milhões de euros”.

O despacho do MP acrescenta ainda que César Boaventura terá dado conhecimento a José Barros Lima de uma conta no Dubai com 13 milhões de euros, enquanto o empresário têxtil lhe ia emprestando dinheiro.

A revista Visão refere ainda que Boaventura dizia ter uma “ligação privilegiada ao então presidente do SL Benfica, Luís Filipe Vieira, de quem afirmava ser amigo”, no sentido de se tornar mais credível junto dos alvos. O ex-presidente do Benfica chegou ainda a ser ouvido como testemunha no âmbito do processo. César Boaventura terá dito que Vieira o tinha aconselhado a não seguir um caminho profissional no mundo do futebol. De acordo com a Visão, Luís Filipe Vieira terá dito “é só vigaristas”.

A publicação semanal adianta ainda que a investigação terá descoberto que José Barros Lima terá entregue 300 mil euros a Boaventura para um investimento de um clube de futebol na Moldávia com a garantia de ter 30 milhões fora de Portugal, apesar que “apenas 20% lhe pertenciam, já que o remanescente seria do anterior presidente do Benfica”, é referido na acusação da procuradora Cristina Pires.

O Ministério Público refere que “César Boaventura assegurou que o anterior presidente do Benfica, sabendo da existência de processos crimes em investigação, lhe tinha pedido para colocar nessa conta 22 milhões de euros, não podendo, pois, movimentar essa conta”. O MP refere que esta terá sido uma das artimanhas do empresário de jogadores para ludibriar o empresário do setor têxtil, que terá perdido “as poupanças de uma vida e com várias dívidas por liquidar”, diz o MP citado pela Visão.

César Boaventura esteve sob escuta durante vários meses e foi vigiado pela Polícia Judiciária do Porto, refere a publicação. Num dos áudios, o empresário é ouvido a fazer a reserva, para setembro de 2020, de um quarto de hotel em Lisboa. O hóspede seria o irmão do avançado uruguaio Cavani que foi apontado ao Benfica.

Entretanto, noticia a Visão, as cópias do conteúdo dos dois telemóveis de César Boaventura foram enviadas para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal, para o processo conhecido como dos emails.

A Autoridade Tributária está também no encalce de César Boaventura já que as movimentações do empresário levaram o fisco a descobrir que não terá declarado 1,2 milhões de euros de receita, refere a Visão. Boaventura é suspeito de emissão de faturas falsas e circular dinheiro através de contas bancárias de pessoas próximas, que foram também acusadas de branqueamento de capitais.

O branqueamento de dinheiro era feito também através de jogo em casinos online. A Polícia Judiciária do Porto terá descoberto que Boaventura depositaria dinheiro, jogava com parte do dinheiro e resgatava o restante, escreve a publicação semanal.

 

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