Euribor em máximo de 10 anos. Crédito à habitação vai continuar a aumentar

As taxas Euribor subiram esta segunda-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a sexta-feira para novos máximos em cerca de 10 anos. As taxas associadas ao crédito à habitação subiram rapidamente no mês de agosto e mantêm o mesmo ritmo em setembro, o que pode fazer com que as famílias se vejam obrigadas a recorrer à reestruturação de créditos.

É possível perceber que os valores atuais não são nada simpáticos. Atualmente, a Euribor a 12 meses ficou acima dos 2%, a de seis está quase nos 1,5% e a de três meses perto de 1%. Para já, é possível perceber que a subida das Euribor têm um impacto direto nos novos empréstimos, sendo que a prestação da casa pode subir mais de 100 euros para quem tem empréstimos elevados.

Para simplificar, a Euribor é a taxa de juro mais comum aplicada às operações de empréstimo de capital entre os bancos na Europa. No fundo, é uma quantia em dinheiro (expressa em percentagem) que os bancos europeus pagam quando outros bancos lhes emprestam dinheiro por um determinado prazo. As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 57 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

Este aumento era previsível e vai trazer dificuldades a quem tem créditos bancários e que enfrenta já os efeitos da inflação. A média da Euribor a 12 meses, que é o prazo mais utilizado nos empréstimos contratados na última década e que está presente em cerca de 30% dos contratos existentes em Portugal, fixou-se no mês de agosto em 1,249%, um grande salto face aos 0,992% registados em julho, e bastante longe do valor negativo verificado no mesmo mês em 2021 (-0,498%).

Um exemplo simples demonstra que um empréstimo de 200 mil euros, a 30 anos, associado à nova taxa Euribor a 12 meses, faz com que a prestação suba em mais de 165 euros mensais (passando de 598,55 euros para 764,39 euros), o que leva a um aumento de quase dois mil euros em apenas um ano.

A escalada dos juros afeta particularmente as famílias portuguesas, uma vez que cerca de 1,4 milhões dos empréstimos nacionais estão associados a taxas variáveis. Trata-se de uma realidade distanta do resto da Europa, como por exemplo a Espanha, onde a maioria dos empréstimos tem sido feito a taxas fixas. Ou seja, a especificidade portuguesa acaba por tornar mais difícil a criação de medidas globais, sendo fundamental considerar que uma eventual solução terá de ser tomada a nível nacional, admitiu o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, na apresentação das medidas de apoio às famílias no início de setembro.

Para quem não conseguirá absorver os aumentos, deve dirigir-se ao seu banco e equacionar uma reestruturação de crédito (aumento do prazo do contrato, criação de períodos de carência ou diferimento de capital), uma solução clássica que agrava o custo total dos empréstimos, mas que evita a entrada em incumprimento, o que acarreta consequências bem mais graves no futuro.

 

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