5 Dec 2024, 9:37
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No dia em se assinalou o trágico acidente que, em 1980, tirou a vida a Francisco Sá Carneiro, na quarta-feira, 4 de dezembro, foi anunciada uma exposição que vai dar a conhecer documentos, até agora confidenciais, sobre a vida do político. Ao lado do professor José Pacheco Pereira, o presidente da Câmara do Porto sublinhou, esta quarta-feira, no edifício dos Paços do Concelho, a importância de se lembrar "uma figura incontornável da democracia".
A exposição "Francisco Sá Carneiro e a construção da democracia", que "deverá ser inaugurada no dia 25 de abril de 2025, no Átrio da Câmara do Porto", revelou Rui Moreira, "vai ser uma novidade para muitas pessoas", por se tratar de "uma exibição com um conjunto de documentos inéditos".
Fruto de uma cooperação entre a Câmara do Porto e o Arquivo Ephemera, a exposição vai revelar documentos desconhecidos sobre a vida política de Sá Carneiro, muitos deles provenientes do seu espólio pessoal, em grande parte conservado por Conceição Monteiro, uma das secretárias do Partido Popular Democrático (PPD).
Ao lado de Rui Moreira, Pacheco Pereira levantou a ponta do véu sobre o que se avizinha na exibição, que vai fazer emergir o papel decisivo que Sá Carneiro teve em diversos momentos da vida política da década de 1970.
"Temos uma novidade: o PPD teve um serviço de informações em 1975, ou seja, um serviço secreto", revelou o historiador, enquanto mostrava documentos, até agora confidenciais, redigidos pelo então Serviço de Centralização e Coordenação de Informações.
Pacheco Pereira adiantou que se tratam de documentos que "retratam questões muito importantes sobre o período do PREC [Processo Revolucionário em Curso]", que vão ser exploradas na exposição.
Além disso, a mostra, que estará patente até ao início do verão e será de entrada livre, também vai desvendar episódios que antecederam "a criação do PPD, que é o resultado de três ideias fundamentais que vão ser exploradas na exposição: liberalismo, personalismo cristão e social-democracia europeia".
"Francisco Sá Carneiro e a construção da democracia" vai incluir, ainda, documentação "sobre a chamada Ala Liberal" - esclareceu o responsável pelo Arquivo Ephemera -, listas com os nomes das pessoas que o PPD queria convidar para integrar o partido e documentos sobre conflitos no meio sindical, as eleições de 1975 e 1976 e os principais congressos.
A campanha contra Sá Carneiro, o processo de criação da Aliança Democrática e a correspondência "duríssima" trocada com Ramalho Eanes também serão temáticas que vão ser exploradas na exibição.
Rui Moreira frisou que "a Câmara do Porto está muito empenhada nesta exposição", pois considera que "Francisco Sá Carneiro é uma figura que não pode ser perdida nos nevoeiros da história".
Nas palavras do presidente da Câmara do Porto, o antigo primeiro-ministro é uma "figura incontornável da democracia", tendo sido um dos políticos "mais notáveis da época".
A propósito das celebrações do 25 de Novembro na cidade do Porto, que decorreram na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, o autarca portuense homenageou Sá Carneiro, destacando o político como "uma voz insubmissa" que deixou um marco de liberdade eterno.
A apresentação da exposição contou com a presença de figuras da sociedade portuense, entre elas, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares.
Sá Carneiro faleceu num trágico acidente de avião, em 1980, sendo que, se fosse vivo, teria completado 90 anos em 2024. O Porto foi a cidade berço do fundador do PPD-PSD, nascido na Rua da Picaria, em 1934.
Fonte: CM Porto
Foto/CMP/Guilherme Costa Oliveira