Imagem de Portugal mudou? Franceses aprendem a fazer pastéis de nata em Paris com 'chef' franco-português

Steven dos Santos formou-se em cozinha, tendo trabalhado em restaurantes distinguidos com estrelas e está agora à frente do 'La Rive Droite'. O restaurante “La Rive Droite” fica localizado no supermercado de luxo na capital francesa, ‘Grande Épicerie’, no 16º bairro de Paris e tem levado a cabo uma operação de promoção de produtos portugueses, financiada pela AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e o mini curso de cozinha é o culminar da iniciativa.
Para Steven dos Santos ainda falta em Paris um restaurante português que “saia um pouco da cozinha mais tradicional”, mas este jovem ‘chef’ tem o sonho de abrir um negócio em Portugal, mais precisamente no Douro, introduzindo os portugueses à cozinha francesa. “Eu quero abrir algo no Douro, um alojamento local com um restaurante bom, onde as pessoas se sintam à vontade. Gostava de levar algumas coisas boas que se fazem em França, como, por exemplo, os croissants”, contou Steven dos Santos.
A empresária de recursos humanos instalada na região parisense nasceu em Portugal, mas vive em França desde 1 ano de idade. O caminho para se reaproximar das suas raízes tem sido longo e tem passado pela cozinha. Veio até ao “La Rive Droite” para ter a certeza de que os seus Pastéis de Nata andavam a ser bem feitos em casa. “A cozinha portuguesa é algo muito familiar e que usa muitos produtos frescos, não há coisas muito industrializadas. Eu tinha vontade de voltar a isso e, como gosto de cozinhar, já fiz pastéis de nata em casa”, declarou.
No entanto, a receita de Steven dos Santos não cumpre os cânones nacionais. Para adaptar ao gosto francês e facilitar a introdução deste bolo em França, o ‘chef’ explica que trocou a canela pela baunilha por ser um sabor mais familiar para os gauleses.
Os segredos dos pastéis de nata abriram-se aos franceses que se inscreveram para esta atividade. O creme foi feito pelo 'chef', sob o olhar atento de Elisabete Frias Delabarre, que ia questionando sobre os passos da confeção da iguaria lusa.
Com uma curiosidade por diferentes cozinhas, as amigas Charlotte, Caroline e Emeline inscreveram-se neste curso de cozinha porque gostam de viajar e fazer atividades em conjunto. Dizem que “não é difícil” fazer Pastéis de Nata, mas não têm a certeza que em casa corra tão bem.
Quando questionadas sobre que ideias associam a Portugal, as palavras das três amigas franceses são bastante positivas. “Faz-me pensar na música, no fado”, disse Charlotte, enquanto Caroline indicou que o país está muito ligado “à comida” e que em todas as cidades francesas “há um bom restaurante português”. Das três viagens que já fez a Portugal, Emeline destacou “a simpatia e autenticidade das pessoas”.
Mas esta imagem de Portugal é recente e não foi com essa imagem que Elisabete cresceu na região parisiense. “Numa certa altura aqui em França, eu tinha quase vergonha de dizer que era portuguesa porque estava associado a certos preconceitos, era algo negativo. Há cerca de sete anos as coisas começaram a mudar, hoje os franceses vivem em Portugal, e eu comecei a querer saber mais sobre o meu país e hoje é um orgulho para mim”, disse Elisabete Dias Delabarre.

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