Golpe militar no Burkina Faso. Cidadãos portugueses "estão bem"

 O embaixador de Portugal em Ouagadougou, Vítor Sereno, disse hoje à Lusa que os cidadãos portugueses residentes no Burkina Faso, país que foi palco de um golpe militar na passada segunda-feira, "estão bem".
“São cinco portugueses residentes e a embaixada contactou-os todos. Estão bem”, salientou Vítor Sereno, embaixador no Senegal, mas que assegura também a representação portuguesa no Burkina Faso.
Os militares que iniciaram no domingo um golpe de Estado no Burkina Faso confirmaram na segunda-feira, também numa declaração na televisão estatal, que tomaram o poder e anunciaram a dissolução do Governo e do parlamento.
O Presidente Roch Marc Christian Kaboré foi derrubado por um corpo militar liderado pelo tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba, que lidera agora o chamado Movimento Patriótico para a Salvaguarda e Restauração (MPSR).
O Presidente destituído do Burkina Faso mantém-se sob custódia do exército, mas “está fisicamente bem”, informou um elemento do seu partido hoje, dois dias após o golpe militar que o derrubou, condenado pela comunidade internacional.
Ele está “ainda nas mãos do exército”, “numa residência presidencial em prisão domiciliária”, segundo a fonte do seu partido, Movimento Popular para o Progresso (MPP), em declarações à agência France-Presse (AFP).
A fonte, que a agência de notícias francesa não identifica, acrescentou que Kaboré “está fisicamente bem” e tem “um médico à sua disposição”.
O MPSR começou por anunciar a dissolução ou suspensão das instituições da República, bem como o encerramento das fronteiras aéreas do Burkina Faso, mas estas foram reabertas logo na terça-feira, tal como as fronteiras terrestres para certos produtos, o que parece indicar que a junta militar no poder não tem medo de um “contra-ataque” e está a controlar os vários corpos do exército.
O golpe no Burkina Faso, que sucede aos golpes no Mali e na Guiné-Conacri, foi condenado pela comunidade internacional, que exige a “libertação imediata” do Presidente derrubado.
O alto representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, advertiu hoje que “se a ordem constitucional não for restaurada”, haverá “consequências imediatas na parceria [europeia] com o país”.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) deverá realizar uma “cimeira extraordinária” nos próximos dias, que pode resultar na imposição de sanções ao país.
União Africana e ONU condenaram igualmente o golpe de Estado. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que “os golpes militares são inaceitáveis”.
A única voz dissidente veio de Moscovo, onde o empresário Yevgeny Prigozhin, próximo de Vladimir Putin e líder do grupo paramilitar Wagner, presente em vários países africanos, saudou o golpe como sinal de uma “nova era de descolonização” em África.
O Presidente Kaboré, no poder desde 2015 e reeleito em 2020 com a promessa de colocar um ponto final no aumento dos ataques jihadistas no país, vinha a ser cada vez mais contestado por uma população atormentada pela violência de vários grupos extremistas islâmicos e pela incapacidade das forças armadas do Burkina Faso responderem ao problema da insegurança.

 

Partilhar nas redes sociais

Últimas Notícias
Praia do Ourigo devolvida aos veraneantes após demolição da estrutura do antigo bar
21/07/2026
Acesso ao Ensino Superior: U.Porto com recorde de vagas e cursos
21/07/2026
Quando um clube desaparece, perde-se uma parte da cidade
21/07/2026
Limite 30 quilómetros expande-se à zona do Campo Alegre
20/07/2026
FC Porto levou World Camps aos três países anfitriões do Mundial 2026
20/07/2026
Quando o futebol se torna religião
17/07/2026
Direção do Boavista FC emite comunicado sobre a situação atual do clube
17/07/2026
Projeto Alquimia transforma o emblemático Coliseu num polo de expressão artística
17/07/2026
Praia do Ourigo devolvida aos veraneantes após demolição da estrutura do antigo bar
21/07/2026
Acesso ao Ensino Superior: U.Porto com recorde de vagas e cursos
21/07/2026