Ilha da Lomba vai transformar-se em conjunto habitacional

Os números falam em 47 novas habitações nas ilhas da Lomba e de oito milhões de euros de investimento, com fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no processo de reabilitação que começa a tornar-se real. Ricardo, José, Marlene e António falam de uma vida inteira em comunidade que não querem perder, de uma casa mais digna, de melhores condições para viver no lugar de sempre. Falam de saudade do futuro da Lomba.

“A importância das ilhas é percebermos que há, como este, núcleos populacionais dentro da cidade que não querem sair para outro lado”, afirmou o presidente da Câmara do Porto, numa visita ao local da obra, na tarde desta quarta-feira.

Para Rui Moreira, “isso é a essência da cidade”. “Queremos manter a história de vida destas pessoas, isso não há forma de substituir”, considera o autarca, lembrando que “esta é uma realidade do Porto, não há outra cidade que tenha isto”.

“Se pudermos manter este enraizamento, esta vizinhança, isto vale a pena”, afirma o presidente da Câmara, deixando a imagem de que “esta é a cidade que estamos a construir em papiro, mais do que em papel impresso”.

Na visão do vereador do Urbanismo e da Habitação, o que está a ser feito é “a requalificação da cidade, não só no seu aspeto material, mas também no seu aspeto imaterial”. “Hoje já não pensamos em erradicar as ilhas, mas em requalificá-las de tal forma que as populações que aqui vivem possam regressar no final da obra”, afirma Pedro Baganha.

Com as obras a arrancar na segunda metade do ano, o realojamento temporário das 40 famílias está totalmente assegurado. Dando resposta a critérios de proximidade, adequação de tipologias, questões de mobilidade, assim como de manutenção de redes de vizinhança, foram acordadas com os moradores soluções em habitações da Porto Vivo, SRU, da Domus Social, assim como, de forma residual, no mercado de arrendamento. O vereador sublinha como “estas famílias estão a ser acompanhadas desde o primeiro momento”.

Em 2026, já todos poderão regressar, com condições de habitação digna, à reabilitada Ilha da Lomba, com o compromisso do Município de “manter as rendas que os agregados pagavam originalmente” garante Pedro Baganha.

Além dos 47 fogos, de tipologias entre T1 e T3 e áreas que vão dos 55 m2 aos 111 m2, a intervenção será, igualmente, visível com uma nova praça em ligação direta com a sala de condomínio e uma lavandaria comum.

Os trabalhos para colocar em andamento o projeto dos arquitetos Maria Souto de Moura, Francisco Pina Cabral, Francisco Amoedo Pinto e Luís Vitorino Caleiro já deram início à demolição do edificado existente. A prática obedece a critérios de sustentabilidade com o reaproveitamento do máximo de materiais possível.

Recorde-se que estas ilhas se inserem na Área de Reabilitação Urbana (ARU) Campanhã-Estação.
 

Mais 1.500 novas casas até 2028

Os sete fogos adicionais irão engrossar o programa municipal de arrendamento acessível. Até hoje, o Porto com Sentido já disponibilizou três centenas de casas a pessoas com rendimentos intermédios, com rendas que vão dos 341 aos 575 euros mensais.

Em curso estão intervenções que permitirão oferecer, até 2028, cerca de 1.500 novos fogos neste mercado. De iniciativa municipal, além das Ilhas da Lomba, nascerá mais habitação em Lordelo do ouro, Eirinhas, Faria Guimarães, e fogos dispersos resultado de reabilitações e construção nova.

Para isso, o Município contará com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, estando já aprovados cerca de 25 milhões de euros, dos 34 milhões acordados.

Em terrenos municipais, mas de iniciativa privada, já foram lançados os concursos para a construção de habitação acessível no Monte pedral e no Monte da Bela.
 

No presente a pensar no futuro, a Câmara do Porto tem já em andamento projetos para outras ilhas municipais na cidade, além de acompanhar intervenções em edificados desta tipologia de propriedade privada, no âmbito do 1.º Direito.

Uma vez que, diz o vereador do Urbanismo e da Habitação, “o mundo não vai acabar depois do PRR”, e este tipo de intervenções “não é compaginável com o financiamento estrito do Município”, Pedro Baganha considera “imprescindível que haja novas linhas de financiamento estatais, especificamente para estes núcleos degradados, sendo que o Estado, durante muitos anos, isentou-se de participar neste esforço de reabilitação destes territórios”.

 

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