Inteligência Artificial é um "risco certo" na desinformação, diz Ramón Salverría

O coordenador do Iberifier, Ramón Salverría, diz, em entrevista à Lusa, que a inteligência artificial (IA) é um "risco certo" na desinformação e defende que é preciso desenvolver "melhor capacidade crítica" nos cidadãos.

 Questionado sobre o impacto da inteligência artificial, o responsável salientou que “é um risco certo em termos de desinformação”. Isto “porque multiplica a velocidade e a quantidade dos conteúdos que podem ser disponibilizados para a sociedade num dado momento”, justifica.

Desse ponto de vista, prossegue, se há “organizações, pessoas, países que pretendem transmitir conteúdos desinformativos, agora realmente têm uma ferramenta muito mais forte para conseguir esse tipo de objetivos”.

Paralelamente, há outra dimensão da IA “que estamos a estudar no nosso projeto que é aquela inteligência artificial que é capaz de identificar e neutralizar automaticamente os conteúdos desinformativos”, aponta Ramón Salverría.

E aqui “também existem modelos algoritmos que permitem identificar quando um conteúdo tem uma alta probabilidade de ser um conteúdo falso e, portanto, alertar os cidadãos, estabelecer canais para evitar a difusão pública disso”, refere.

Agora, “dito isso, acho que uma resposta unicamente tecnológica aos desafios da inteligência artificial não é suficiente”, considera o coordenador do Iberifier.

“A batalha entre as dimensões tecnológicas daqueles que pretendem criar conteúdos desinformativos mediante inteligência artificial e os bons, que pretendem combater esse tipo de mensagem com inteligência artificial, é um jogo de soma zero”, salienta.

Pelo que “precisa de incorporar outro tipo de dimensões adicionais, pensamos que a dimensão principal é uma dimensão social, vinculada à educação e todas as questões orientadas a desenvolver uma melhor capacidade crítica por parte dos cidadãos é uma das linhas onde mais devemos trabalhar”, conclui.

O consórcio Iberifier é um dos 14 observatórios multinacionais de meios digitais e desinformação promovido pela Comissão Europeia, tem como coordenador Ramón Salaverría, da Universidade de Navarra, e inclui, entre outras, a Universidade Carlos III, de Santiago de Compostela, de Espanha, e ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa e Universidade de Aveiro, de Portugal.

É um projeto que visa combater a desinformação e integra 23 centros de investigação e universidades ibéricas, as agências noticiosas portuguesa, Lusa, e espanhola, EFE, e ‘fact checkers’ como o Polígrafo e Prova dos Factos – Público, de Portugal, e Maldita.es e Efe Verifica, de Espanha.

 

Lusa

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