Investigadores da FMUP estudam «armas» de combate a «superfungo» mortal

Os investigadores da Universidade do Porto (U.Porto), liderados pela Faculdade de Medicina (FMUP), estudaram os primeiros casos de infeção por Candida auris em Portugal, identificando casos em 2023 num hospital do Norte e analisando geneticamente a estirpe, descobrindo novas mutações de resistência e reforçando a necessidade de vigilância e controlo de infeções hospitalares. Este fungo resistente é uma ameaça global, e o estudo da U.Porto detalha as suas características em Portugal e a importância da deteção precoce e medidas preventivas. 

O uso continuado de peróxido de hidrogénio, também conhecido como água oxigenada, para desinfeção e esterilização de hospitais e outras estruturas de saúde, provou ser eficaz a eliminar o “superfungo” Candida auris, uma espécie emergente de Candida associada a múltiplos surtos, infeções graves e altas taxas de mortalidade em todo o mundo.

Já este ano, o Centro de Controlo de Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos da América alertava para o crescimento alarmante dos casos de infeções por este “superbug”, um fungo patogénico capaz de entrar na corrente sanguínea e de invadir todo o corpo, com consequências potencialmente fatais.

Tendo em vista a prevenção de novos surtos, um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), coordenado por Acácio Gonçalves Rodrigues, vem agora demonstrar que, além de eficaz a destruir o fungo, o peróxido de hidrogénio não induz resistência microbiana, mesmo após exposição prolongada.

Os dados disponíveis indicam que a Candida auris pode ser super-resistente, resistindo aos medicamentos (antifúngicos) utilizados para o tratamento das infeções que provoca.

Embora o peróxido de hidrogénio seja “amplamente utilizado em ambientes de saúde”, quer em líquido, vapor ou aerossol, eram necessárias mais evidências da sua eficácia contra aquele fungo, identificado pela primeira vez em 2009, no Japão. Além disso, não havia dados sobre a possibilidade de indução de resistências depois do uso do H2O2.

Neste trabalho da FMUP, três espécies de Candida (Candida auris, Candida albicans e Candida parapsilosis) foram expostas durante 30 dias a concentrações definidas de peróxido de hidrogénio. Os resultados indicam que aquele desinfetante tem eficácia semelhante em todas as espécies de Candida, após aquele período.

“A adoção de soluções de H2O2 em protocolos de rotina, a fim de promover a desinfeção contra Candida auris, melhorando a segurança do paciente e reduzindo custos com saúde, é certamente bem-vinda”, afirma, a propósito, Acácio Gonçalves Rodrigues, professor da FMUP.

Publicado na revista científica “Antimicrobial Resistance & Infection Control”, este artigo científico tem como autores Acácio Gonçalves Rodrigues, Luís Cobrado, Elisabete Ricardo, Patrícia Ramalho, da FMUP/CINTESIS@RISE, e Ângela Rita Fernandes, da FMUP.

 

Fonte/Foto: Sigarra | UPorto

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