LESADOS EMIGRANTES DO BES CHAMADOS AO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS PARA INTEGRAR GRUPO DE TRABALHO

"Injustamente adiado até hoje"

Este grupo de lesados do BES reclama "a constituição de um fundo de recuperação de créditos (...) tal como aconteceu para os lesados do papel comercial".
As associações de Defesa de Clientes Bancários (ABESD) e de Lesados Emigrantes Portugal Venezuela (ALEPV) participam esta sexta-feira numa reunião de trabalho com o Governo, no Ministério das Finanças, com vista à resolução da situação dos lesados emigrantes do BES.
Em comunicado, as associações - que representam maioritariamente emigrantes clientes das sucursais externas do antigo Banco Espírito Santo (BES) - avançam que o encontro decorrerá em Lisboa, pelas 15:30, "iniciando assim a constituição do Fundo de Recuperação Créditos dos clientes lesados do BES (sucursais externas), os quais não tiverem acesso a nenhuma das soluções anteriores".
Este grupo de lesados do BES reclama "a constituição de um fundo de recuperação de créditos, nos termos da Lei n.º 69/2017 de 11 de agosto, tal como aconteceu para os lesados do papel comercial", que eram clientes da rede comercial do BES em Portugal.
As associações salientam que "este grupo de lesados do BES aguardou ansiosamente e com muita expectativa o início deste grupo de trabalho, o qual, independentemente da situação política atual, irá legitimamente continuar a realizar o seu trabalho técnico, seja qual for o futuro político em Portugal".
"Todos os partidos políticos com assento parlamentar em 2017 aprovaram na Assembleia da República a lei que nos trouxe a este momento, pelo que estamos certos de que, ao fim de mais de sete anos de espera, após a resolução do BES, nenhum partido político irá querer ficar do lado errado da história e interromper o início de solução há muito aguardado e injustamente adiado até hoje", sustentam.
Presentes na reunião de hoje, para a qual foram convidadas pelo gabinete do primeiro-ministro, as associações avançam que "irão estar representantes do Banco de Portugal e da CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários]".
De acordo com a ABESD e a ALEPV, "o Governo solicitou aos lesados uma recomendação da Assembleia da República e uma declaração de 'misseling'".
"Os lesados conseguiram aprovar por unanimidade a Resolução n.º 44/2018, de 19 de janeiro, e constituíram uma comissão de peritos independente na Ordem dos Advogados, com um estatuto próprio e nos termos da lei. O relatório dessa comissão foi favorável aos lesados, declarando a fraude generalizada", recordam.
A ABESD e a ALEPV são associações sem fins lucrativos, constituídas após o colapso do grupo BES/GES.
Têm como associados clientes não qualificados, maioritariamente emigrantes, das sucursais externas financeiras do grupo BES na Madeira, Luxemburgo, Venezuela, África do Sul e Suíça, entre outras, que perderam as suas poupanças em produtos financeiros do BES/GES e dizem ter sido "vítimas de venda fraudulenta aos balcões do BES/BPES em Portugal, conforme confirmado pelo relatório de peritos independentes da Ordem dos Advogados".
Na quinta-feira, a Associação dos Lesados do Banif (ALBOA) anunciou também ter sido convocada para uma reunião hoje, no Ministério das Finanças, com vista à constituição de um grupo de trabalho para resolução dos problemas dos seus associados.
Em comunicado, a ALBOA - que representa apenas os ex-clientes não qualificados, que foram lesados num valor estimado em cerca de 180 milhões de euros - indica que a reunião tem como objetivo "a constituição de um grupo de trabalho para a resolução" da situação dos lesados do Banif, "que se arrasta há já seis anos".

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