Língua portuguesa é ouvida nas bibliotecas de Paris

“Chega de Saudade” foi o mote do debate na sexta-feira à noite sobre Portugal, a língua portuguesa e a comunidade lusófona na biblioteca Claude Lévi Strauss, no 19.º bairro de Paris, que mostrou “um país arejado” longe das ideias preconcebidas.

"A ideia é sair dos lugares comuns, mas não os esquecendo também, e apresentar um outro cânone, uma outra seleção de acordo com o nosso gosto e que saia do que aparece sempre. Tínhamos aqui muitos exemplos de artistas mulheres e queríamos dar uma visão desempoeirada. Chega de saudade, chega de uma visão que já não é atual”, explicou Ana Bela Almeida, professora de português e cultura portuguesa na universidade de Liverpool, em declarações à agência Lusa.
Foi numa conversa descontraída que Ana Bela Almeida e Gonçalo Duarte, bibliotecário das Bibliotecas de Paris e antigo professor de português em países como Bélgica, Itália e França, apresentaram um Portugal longe das ideias fáceis, descodificando a palavra saudade através de Eduardo Lourenço, falando do 25 de Abril com a ajuda de “Tanto Mar” de Chico Buarque ou o problema da gentrificação em Lisboa com “Gentrificasamba”, dos Samba Sem Fronteiras.
Uma forma diferente de mostrar Portugal, que serviu de base ao evento “Chega de Saudade” que integra o programa da Temporada Cruzada entre França e Portugal que se estendeu às bibliotecas da capital francesa, e que no 19.º bairro de Paris quis acabar com ideias feitas sobre o país.
Na audiência, constituída por dezenas de franceses e lusófonos, surgiram muitas questões ligadas à colonização, à emigração portuguesa em França e também à língua portuguesa. Uma das formas de acabar com estas ideais feitas, segundo Gonçalo Duarte, é continuar a apostar no ensino de português em França com professores vindos de Portugal.
“É preciso continuar a apostar num ensino em França que não seja enviesado. E, por isso, a importância dos leitores que vêm de Portugal, que conhecem o Portugal contemporâneo e que sabem o que se passa lá”, detalhou.
Para Ana Bela Almeida, é preciso que os manuais de português se afastem da visão “muito positiva” dada de Portugal e que se mostre o país como ele é atualmente, especialmente através dos seus artistas como a pintora Paula Rego ou a poetisa Adília Lopes.
“Mesmo estas obras mais subversivas despertam mais interesse, mesmo agora eu via os rostos das pessoas quando apareceram os quadros da Paula Rego, isto sim, gera curiosidade. Isto sim, corresponde ao que Portugal também é: um país arejado, que se autoquestiona e que produz obras de arte extraordinárias”, concluiu.

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