1 Apr 2022, 0:00
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O Presidente da República diz que "decorre das palavras do primeiro-ministro uma predisposição para ficar na legislatura". Marcelo responde ao presidente do PS: "O ultimato não é meu"
Um dia após ter dado posse a António Costa com um discurso em que agarrou o primeiro-ministro ao Governo até ao fim da legislatura, o Presidente da República veio responder ao presidente do PS, Carlos César, que escreveu nas redes sociais que Costa só está "refém do povo".
"Se o presidente do partido no Governo assume que o primeiro-ministro é refém do povo, assume que ele está a avançar para uma empreitada de quatro anos e meio", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando que os eleitores tinham diversas opções mas escolheram dar ao PS uma maioria absoluta que significa e implica "estabilidade".
Questionado sobre se ele próprio fez um ultimato a António Costa, Marcelo respondeu: "Se quiserem, é um ultimato do povo, não é meu. E tenho consciência de que o primeiro-ministro compreende isso".
Na véspera, ao dar posse ao novo Governo no Palácio da Ajuda, o Presidente afirmou: "Vossa Excelência, senhor primeiro-ministro, que fez questão de personalizar o voto, ao falar numa escolha entre duas pessoas para o cargo de PM, agora sabe que não será politicamente fácil que esse rosto, essa cara, que venceu de forma notável, possa ser substituída por outra a meio do caminho".
O primeiro-ministro respondeu que “Os portugueses resolveram nas eleições a crise política e garantiram estabilidade até outubro de 2026". Mas também disse que "estabilidade não é sinónimo de imobilismo, é sim, exigência de ambição e oportunidade de concretização”.
E Carlos César escreveu nas redes sociais que “António Costa esteve muito bem no discurso de posse. O Primeiro Ministro, como em qualquer democracia e na sequência da renovação expressiva da legitimidade eleitoral do PS, é refém do povo que o elegeu e dos compromissos que assumiu e que serão reafirmados no Programa do Governo que será submetido ao órgão de soberania a quem incumbe a fiscalização política da atividade governativa - a Assembleia da República”.
Nas declarações que esta quinta-feira fez aos jornalistas no Palácio de Belém, à margem de mais um encontro com artistas, desta vez com o escultor Pedro Cabrita Reis, Marcelo Rebelo de Sousa ainda reafirmou alguns dos desafios que colocou à maioria absoluta socialisra e que ficaram ofuscados pela 'bomba' política que lançou a Costa.
Reformar o SNS, pôr o país a crescer de forma sustentada, combater a pobreza, reformar a Justiça e o sistema eleitoral, foram algumas das metas evidenciadas pelo Presidente. Que também lembrou o que disse sobre a situação internacional a propósito das ambição da Federação Russa - "é um problema de poder internacional" - e de como vai ser difícil "acomodar a economia de guerra".
Convicto de que nenhum "irritante" permanecerá nas relações com o primeiro-ministro, Marcelo concluiu "nunca houve irritante. Há naturalmente pontos de vista por vezes diferentes mas a cooperação e solidariedade institucional têm que fluir".
Sobre o discurso de Costa na posse do Governo, o Presidente disse que António Costa "revisitou várias ideias minhas".