17 Dec 2024, 8:53
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O Município do Porto já deu início ao processo de classificação da fachada da casa onde nasceu Almeida Garrett. Questionado sobre o porquê de não avançar com a classificação e a aquisição do imóvel, o presidente da Câmara explicou que a primeira situação já acontece e, sobre a segunda, a autarquia não tem autorização.
"Não é verdade que não haja classificação daquele imóvel", afirmou Rui Moreira, referindo que a casa "está inserida num território que já é Património da Humanidade".
O autarca respondia à interpelação da vereadora da CDU, que trazia à reunião de Executivo questões levantadas, recentemente, a propósito da notícia que dá conta da venda da casa onde terá nascido o escritor.
O presidente da Câmara adiantou que a autarquia tem "em curso um processo de classificação do que pode ser classificado, que é a fachada", até porque, acrescenta, "já todo o interior da casa tinha sido desfigurado nos anos 60 e 70, com divisórias de contraplacado", muito antes do incêndio sofrido em 2019.
Rui Moreira recordou uma recomendação, aprovada por unanimidade pelo Executivo, para que o Município tentasse adquirir o imóvel para ali criar o Museu do Liberalismo.
Reiterando que "fizemos o que podíamos fazer", o presidente da Câmara voltou a esclarecer que "procedemos a uma avaliação no sentido de saber por que valor é que a Câmara poderia, legalmente, vir a adquirir aquele edifício".
No entanto, verificou-se "que o valor dos nossos avaliadores [na ordem dos 1,5 milhões de euros] não é correspondente ao valor da transação [de cerca de 3,5 milhões], pelo que não podíamos exercer o direito de preferência".
Sobre o Museu do Liberalismo, o autarca afirmou que o espaço está a ser pensado para a Quinta de Villar d’Allen, cujo território vai passar para o domínio do Porto. "Já falámos com a família, que está disponível para que aquele edifício seja usado para o Museu do Liberalismo", confirma Rui Moreira.
No período antes da ordem do dia, os vereadores votaram, por unanimidade, um voto de pesar, apresentado pelo PSD, pelo falecimento de Américo Martins, dux veteranorum da Academia do Porto, descrito como "uma referência inquestionável da vida académica portuense" e "verdadeiro embaixador do património imaterial da Academia da cidade", que "dedicou grande parte da sua vida à preservação das tradições académicas numa perspetiva humanista".
Fonte: CM Porto
Foto: CMP/Glenn Stumpp