O ‘pedido de resgate’ do Sporting a Sobrinho. As mensagens por trás dos 15 milhões de euros para o “querido clube”

O ex-Presidente do BES Angola (BESA), Álvaro Sobrinho, é acusado pelo Ministério Público (MP) de ter desviado 15 milhões de euros da instituição bancária que dirigia para o Sporting Clube de Portugal. O dinheiro foi transacionado em 12 transferências bancárias, entre 2011 e 2012, por parte do BESA, numa altura em que o clube de Alvalade atravessava dificuldades financeiras.

Nos anos de 2011 e 2012, o Sporting Clube de Portugal (SCP) atravessava uma fase de turbulência económica e financeira, acompanhada de escassos resultados desportivos. Os problemas em conseguir crédito junto da banca comercial e a dificuldade acrescida para fazer face a despesas correntes, como pagar salários, e em contratar jogadores levaram a estrutura leonina a procurar alternativas.
Segundo a acusação do Ministério Público, no Caso BES Angola, Luís Godinho Lopes, à data Presidente dos “leões”, terá pedido ajuda a Álvaro Sobrinho, conhecido adepto do clube e então Presidente do BES Angola. O líder do clube de Alvalade contou com o contributo de José Maria Ricciardi, à data membro do conselho fiscal do Sporting e administrador do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), como ponte na comunicação com o banqueiro luso-angolano.
No entender dos procuradores responsáveis pela investigação, as mensagens enviadas por Ricciardi revelam um pedido expresso “no sentido de dotar o clube dos fundos necessários à aquisição e pagamentos dos jogadores de futebol que se anteviam necessários à obtenção de resultados.”

A 6 de fevereiro de 2012, Ricciardi enviou um SMS para Sobrinho, referindo:

“Meu querido amigo, estou no Brasil, mas nunca mais tive notícias suas. Desculpe a insistência, mas não se esqueça do nosso querido clube. Um grande abraço. JMR.”

O contacto telefónico resultou num jantar entre os três protagonistas – Álvaro Sobrinho, Godinho Lopes e José Maria Ricciardi –, dias mais tarde, a 14 de fevereiro de 2012.

Um mês depois, a 6 de março, numa nova mensagem, Ricciardi mostrava-se bastante satisfeito com os progressos alcançados, em mensagem enviada ao banqueiro angolano:

"Sei das conclusões da sua reunião com o Presidente do nosso querido Clube e Bem-Haja! Acho que o Clube deve fazer ao meu amigo e à sua família uma Estátua junto ao Estádio de Alvalade! Reafirmo que serei pessoalmente o seu fiel depositário e da sua família pelo integral pagamento dos vossos investimentos, com o devido retorno. Muito obrigado e um Grande Abraço. José Maria”

Um dia mais tarde, perante a ausência de desenvolvimentos, o presidente do BESI voltava a contactar Sobrinho:

“Meu querido amigo, venho mais uma vez pedir-lhe para ver se consegue enviar o montante que combinou com o Presidente do nosso querido clube. Como combinou, este montante será pago com a emissão das Obrigações Convertíveis que estamos a tratar. Um grande abraço. JMR.”

No dia seguinte, o alarme em Alvalade subia de tom e a urgência em obter os milhões provenientes de Angola era bem visível num SMS enviado desta vez pelo próprio Presidente do clube, Luís Godinho, a Sobrinho.

“Olá Álvaro. É Luís Godinho Lopes. Eu tenho optado por enviar SMS e não deixar mensagem gravada, mas não tenho conseguido obter resposta sua e efetivamente já lhe tinha dito, quando estivemos a semana passada juntos, estou preocupado. Adorei a disponibilidade e a reunião que tivemos, mas como tinha falado de datas e não se estão a materializar, estou sinceramente bastante preocupado. Se puder dizer alguma coisa, agradeço por favor. Um abraço. Luís Godinho Lopes”

A posição demonstrada pelo então presidente leonino teve repercussões e o acordado entre ambas as partes acabaria por avançar, segundo conclui o Ministério Público. Ainda assim, o processamento da transferência suscitou algumas dúvidas. Segundo a acusação, “no dia 12.03.2012, Júlia Couchinho, funcionária da área de Operações do BESA, contactou telefonicamente Álvaro Sobrinho, com uma dúvida sobre o processamento de uma transferência que o mesmo lhe determinara que efetuasse “Dr. Álvaro, é só uma transferência, não é?” Porque aqui tem dois beneficiários. Tenho o Sporting e depois tem a Newbrook”.
Em resposta, Sobrinho esclareceu que seriam duas transferências:

“Uma é a Newbrook e a outra é do Sporting, esclareceu”.

Dois dias depois, 1 milhão de euros entrava nos cofres da SAD do Sporting.

Assim, ao todo, em 12 transferências entre 2011 e 2012 – muitas delas com a diferença temporal de uma semana, o Ministério Público afirma que detetou 15 milhões de euros transferidos para o Sporting que pertenciam à sucursal do BES em Angola e que terão sido ordenados por Álvaro Sobrinho.

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