Olhares Que Trazem Exclusão

Por Alexandre Gonçalves*

Vivemos tempos em que desfilam as comodidades, tecnologias, memórias descartáveis, aparências, produção em massa, e universos fraccionados e automatizados. Actualmente existe a preocupação de como o conceito adolescência é aplicado na sociedade em geral. Embora esse conceito visite, amiudadamente, os meios de comunicação, os diálogos, os colóquios, as dissertações académicas e os discursos jurídicos, o mesmo necessita de ser interrogado e investigado.

A adolescência é um período do desenvolvimento com o qual todos os indivíduos convivem. As transformações hormonais, glandulares, físicas e corporais, concernentes a esse período, acabam por aconchegar alguma responsabilidade pelo aparecimento de determinadas particularidades psicológico-existenciais exclusivas dos adolescentes. Esses contextos passam a ser compreendidos como uma espécie de essência, na qual os atributos, mas também as imperfeições, como a teimosia, obstinação, insurreição, desapego familiar, apego excessivo a determinados grupos, desdém, perturbação, inconstância afectiva, insatisfação, aborrecimento, tristeza, repugnância, hostilidade, impulsividade, excitação, veemência, acanhamento e auto-observação, acabam por constituir a “identidade adolescente”.

A família, a escola e as pessoas que “convivem” com os adolescentes devem estar informados, organizados e preparados para proteger os mesmos e auxiliá-los a superar os sentimentos contraproducentes em relação a si próprios. Na adolescência, o processo de maturação biológica, psicológica e social é bastante enérgico. A adolescência é um momento de passagem que pode ser árduo e “dispendioso”, pois a pessoa adulta ainda não germinou e a criança que existia ainda não “feneceu”.

Os adolescentes procuram uma independência emocional e económica em relação aos pais. De maneira gradual, o grupo constituído por pessoas da mesma idade vai alcançando uma enorme importância para os mesmos. A adolescência é conhecida como a etapa em que ocorrem habitualmente as discórdias mais espessas com a família, pois os adolescentes criam resistências ao seguimento das normas e dos conselhos. Os amigos são a principal referência de comportamento para os adolescentes. Por vezes os jovens tornam-se vulneráveis e “susceptibilizáveis” quando confrontados com a apreciação dos companheiros e, por essa razão, podem ser facilmente e irreflectidamente influenciados pelos pareceres e atitudes dos mesmos. Será que o diálogo entre os jovens e a família não assume um papel cada vez mais essencial na minimização dos conflitos? Será que as comparências calorosas e as convivências afectuosas, normalmente tão comuns na infância, não devem continuar a ser praticadas e valorizadas na adolescência e ao longo de toda a vida?

Todos os jovens, ainda que em períodos de tempo diferentes, passam pela fase de pensar que podem mudar o mundo, acabando por desperdiçar algumas referências importantes. O sistema educacional também aconchega uma responsabilidade peculiar nas disciplinas adolescência e violência. Os adolescentes agasalham inúmeras fragilidades interiores, algumas delas pintadas a tons de agressividade e desdém. Será que esses contextos não promovem factores de risco como sejam: o álcool, as drogas e a violência? Será que a desconstrução da violência não necessita do empenho e do compromisso dos actores sociais, das instituições e da sociedade ecuménica em todas as suas inúmeras dimensões? Será que um dos factores principais para que os jovens se embrulhem numa textura de violência não está relacionado com a dificuldade que as famílias, professores, profissionais de saúde e governantes têm em interpretar as características, carências e indispensabilidades da adolescência?

 

*Escritor e Técnico Superior na Divisão de Educação

da Câmara Municipal da Guarda

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