P&O Ferries troca portugueses por filipinos

A P&O Ferries despediu 800 tripulantes, sem pré-aviso, numa ligação surpresa via a aplicação Zoom. Afetadas estão as tripulações portuguesas e inglesas que a empresa emprega nas rotas do canal da Mancha e mar do Norte, que foram substituídos por tripulantes filipinos.

Agentes de segurança de “bataclava” foram vistos a entrar nos navios e expulsaram os últimos tripulantes, alguns ainda a dormir nas suas cabinas, segundo o jornal Mirror.
A polémica está instalada. As tripulações maioritariamente portuguesas dos navios Pride of Hull e do Pride of York da P&O Ferries, que ligam o porto de Hull a Roterdão e Zeebrugge, foram substituídas por equipas de marítimos filipinos que mal falam inglês pagos a menos de dois euros por hora, em contratos de seis meses, com condições muito duras de trabalho intensivo, sem qualquer garantia dos mesmos direitos atribuídos aos trabalhadores embarcados na Europa e isto por causa do Brexit, segundo a empresa.
Durante mais de 20 anos, milhares de portugueses trabalharam nestes navios da empresa sediada na Inglaterra, recebendo salários na ordem dos 9,5 euros por hora, abaixo do salário mínimo na Inglaterra de 11,4 euros (9.5 libras por hora), inferiores aos contratados de origem inglesa, numa situação de descriminação e com “estadia mínima a bordo de dois meses, contra meros 15 dias a trabalhar e 15 dias em casa, com as viagens de retorno pagas e outros importantes benefícios oferecidos aos residentes no Reino Unido”, sem que os sindicatos britânicos se manifestassem contra a discriminação.
Agora com a medida a afetar nacionais e residentes ingleses, os sindicatos britânicos denunciaram a situação e
alertam para os “riscos para a segurança de pessoas e bens e para as perdas de postos de trabalho”.
A P&O Ferries respondeu e garantiu que as contratações dos tripulantes filipinos obedecem às regras da ITF
(Federação Internacional de trabalhadores) e que os salários que serão pagos são justos “comparados com os níveis dos salários nos seus países de origem”, mesmo se os novos trabalhadores trabalham na Europa. Uma visão que a companhia do Dubai conhecida por “violações similares ao direito marítimo no mundo inteiro” segundo os
sindicatos, não reconhece para a companhia que afirma que os sindicatos estão a politizar uma “simples mudança de tripulações”.
As operações na Inglaterra e Europa da P&O estão suspensas até nova ordem, enquanto longas filas de viaturas e camiões estão bloqueados e impossibilitados de utilizar os navios da companhia comprada em 2019 pela DP World, do Dubai.

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